Ontem eu tomei uma decisão difícil, que talvez explique um pouco o meu sumiço aqui, andei pensando demais sobre algumas coisas, e hoje parece que finalmente me sinto mais tranquila com a minha decisão.
Bom, vou explicar. Quando comecei a fazer Ciências Socias, eu não tinha a exata noção do que era o curso (aliás, acho que noção a gente nunca chega a ter completamente), mas eu fui, passei e comecei. Eu gostava dos temas e das áreas e achei que pudesse adaptar o que eu realmente gostava (basicamente escrever/jornalismo/moda) com o que a sociais tinha a oferecer, e olha, depois dos quatro anos de matéria e muito aprendizado, hoje eu posso dizer que minha escolha foi feliz, não fácil, mas feliz. Meu curso me ensinou MUITA coisa que eu levo pra vida toda, isso fora os amigos, que são pra sempre, e a vida universitária, que é algo único mesmo.
Mas foi difícil, o curso tem um foco muito grande na vida acadêmica, então fazer pesquisa, ter uma iniciação e conseguir bolsa era um caminho de certa forma mais lógico, e eu não segui esse caminho, talvez porque não tive a chance de encontrar logo de cara um projeto legal, talvez porque eu não estivesse certa do tema que eu gostaria de estudar.
Assim, meu dois primeiros anos foram de dúvidas, muitas dúvidas, e confesso que pensei muitas vezes em largar tudo, voltar pra casa, prestar vestibular de novo e prestar outra coisa, mas no fim das contas, aconteceu uma coisa que eu considero hoje que foi o motivo de eu não ter largado a sociais: Passei em um estágio.
O estágio reacendeu um pouco meu ânimo com o curso, porque agora eu poderia combinar a teoria com um pouco de prática, colocar a mão na massa em um trabalho e aprender com aquilo, e olha, eu não estava errada, meu trabalho era lidar com pessoas o tempo todo, fazer entrevistas, cadastrar pessoas, resolver um bando de problemas e basicamente se virar com a ajuda dos amigos e um pouco de sorte.
E apesar de muitas vezes eu ficar bem esgotada pela dupla jornada de curso e estágio (o que ocupava meu dia todo, quase todos os dias), e também por perder algumas saídas com amigos por ter que levantar cedo e todas essas coisas chatas, eu não me arrependo, eu precisava daquilo naquele momento.
Mas eu tenho uma pulguinha chata, ou uma voz interna que nunca me deixou desistir fácil das coisas, mesmo quando a melhor opção era desistir, e com o estágio foi mais ou menos assim, depois de quase dois anos, eu já sentia que não estava mais conseguindo tirar daquilo o que era bom, e ficava muito esgotada por lidar com tanta gente todos os dias, muitas vezes com problemas muito sérios, que precisavam mesmo que eu estivesse bem pra ajudar, mas é aquela coisa, o contrato era de dois anos, e eu não queria, e não 'podia' desistir naquele momento.
Por causa dessa decisão, meu curso atrasou meio ano, nem tanto pelas matérias, que eu consegui terminar a tempo, mas porque não tinha cabeça pra elaborar nada legal pra usar no meu trabalho de conclusão, e por ter ficado com cada vez menos disposição para pensar no assunto.
Pois bem, nesse ano, mesmo não tendo terminado meu tcc ainda, a ideia do mestrado começou a parecer o caminho mais lógico a ser seguido pro meu curso, muitas amigas e amigos tinham prestado, alguns tinham passado e nesse fim de ano vários prestariam também pela primeira vez.
Nesse ponto cabe dizer que pra recém formados em sociais, arrumar emprego na área nunca é fácil, e eu considero sim o mestrado de muita importância pra quem quer conseguir um emprego lá no futuro e também, claro, pra quem quer seguir carreira acadêmica.
Eu tinha acabado de sair do estágio no meio do ano, ainda não tinha terminado tudo, e agora me cobrava por causa de um mestrado que eu nem sabia se realmente queria, mas de novo, a minha mania de não querer desistir, ou talvez, não tentar algo que não pareça muito o certo, me fez prestar mestrado em dois locais diferentes.
Em um deles, eu decidi bem em cima da hora, fiz o projeto muito rápido e passei o período pós inscrição estudando para a prova, eram muitos livros, eu não estava lá muito feliz com a minha desição, mas estudei e li tudo o que precisava, e passei na prova. O próximo passo era a entrevista oral, e eu realmente já sentia que aquilo não era pra mim, eu estava esgotada, sem um projeto que eu me orgulhasse de ter feito, e ainda por cima tinha toda a pressão e nervosismo daquilo.
Pois bem, eu fiz, não achei que fui bem, mas não achei que fui mal, sabe? Ficou meio uma incógnita pra mim, teria que esperar pra saber quando saísse a lista de aprovados, e ontem ela saiu, e olha só: Não passei.
É estranho, na hora foi estranho não ver meu nome na lista, fiquei triste e o meu lado virginiano chato que me cobra horrores começou a julgar bem pesado o motivo do 'fracasso', e comecei a pensar o que me faltava, o que eu tinha feito de errado.
Mas depois de chorar um pouquinho e me lamentar, um outro sentimento começou a me invadir, um sentimento de leveza, bem parecido até com alívio. Ué, porque eu estava sofrendo tanto por algo que pra começar, em nem queria de verdade? E comecei a entender que eu devia me respeitar mais, eu não era menos que ninguém porque não queria tentar mestrado, porque não sei o que vou fazer, porque não quero saber o que vou fazer.
E depois desse texto gigante, chega o motivo do nome do post, lembra que eu falei que tinha feito duas inscrições? Pois é, acabei de desistir da segunda, não vou prestar. Entendi que agora não é meu momento, e não é que mais pra frente eu não queira fazer mestrado, é só que agora eu não quero.
É muito difícil perceber quando tempo eu passei me enrolando nessa história de fazer o que é certo, é difícil também assumir isso pra todo mundo, minhas amigas apoiaram, mas algumas acham que eu devia tentar, e olha, eu pensei, pensei se não foi o desânimo de não passar no outro processo que me fez ficar com medo de tentar de novo e fracassar, mas olha, dizendo com toda a sinceridade que meu coração me permite: Não foi. Não foi por medo de não passar ou por preguiça de estudar tudo de novo.
Mas é difícil pensar no que fazer, agora, estando realmente formada. O ano que vem é uma incógnita, posso prestar um concurso, posso fazer aquele curso de moda no senac que me encanta desde os dezessete anos, posso trabalhar no shopping pra levantar uma grana e viajar, posso escrever mais, posso mudar tudo e pensar em tudo de novo.
E hoje, hoje que perdi o sono e me levantei cedinho, hoje que sinto a luz do sol ainda gelada entrar pela janela, eu percebo que estou em paz com a minha decisão de desistir, ou quem sabe, não de desistir, mas a de tentar algo novo.
Beijos

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