Sentir saudade da infância, é, pra mim, sentir saudade de quando eu morava em Campinas e dos amiguinhos da minha escola, Tom e Jerry, é sentir saudade do meu avô que me colocava no colo pra mexer nos rádios que ele construía e falar com aquele povo lá do outro lado, que eu não sabia como a voz tinha ido parar ali.
É ir no shopping com o meu pai pra assistir o filme dos Power Rangers e notar que eu era a única menina da sala, e não entender muito bem o que aquilo significava. É gostar de Cavaleiros do Zodíaco, de basquete e de brincar de detetive.
A infância sempre tem um gosto agridoce, daqueles momentos em que a gente não entende muito bem o que acontece a nossa volta, e às vezes não se contenta com a explicação que nos dão, infância é sim, descoberta, mesmo que a gente só dê realmente conta do significado delas muitos anos depois.
Eu tive a sorte de ter pais que sempre me entenderam, até porque eu nunca foi uma garota muito dentro daquele padrão que a sociedade espera que sejamos, eu, por exemplo, odiava rosa e acho que devo ter tido umas duas barbies em toda a minha vida, e gostava muito mais de uns brinquedos diferentes, tipo aquele boneco que crescia grama na cabeça, vocês lembram? hahah. Eu me divertia com pouco, e vivia em um mundo de completa imaginação onde eu era amiga da Mili e companheira de aventuras da Fada Bela.
E hoje eu acordei assim, meio nostálgica por tudo aquilo que foi doce e hoje é lembrança. A perda do meu avô nesse ano fez tudo ficar mais cinza, dessa vez eu tinha perdido uma parte de mim que não voltava em listas de desenhos dos anos 90, ou em livros empoeirados que retiramos da estante com um sorriso no rosto.
Mas é com alegria que eu me lembro de ser criança, e acho mesmo que deveria me lembrar com mais frequência... Às vezes é muito fácil esquecer de toda aquela curiosidade e vontade de experimentar coisas novas, mas em outras, olhando as fotos antigas e relembrando todos aqueles momentos, eu quase me sinto criança outra vez.
Beijos!
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